CSH - A Jovem Surda que Provou que é Capaz
No Conte-me Sua História de hoje, eu trago a história de uma pessoal muito especial que me ensinou muita coisa. E uma delas, é que, não importa suas limitações, você é capaz de vencer. Eu fiquei muito feliz quando ela me mandou a história dela, pois sempre tive vontade de mostrar que os surdos são pessoas normais, com sentimentos e sonhos, enfrentam dificuldades como qualquer pessoa e a maior delas não é a surdez e sim o preconceito. Conheçam a história da minha amiga especial, Bianca. Obs: Ela mandou o texto formatado desse jeito e eu decidi manter como estava.
"Era uma vez uma menina chamada Bianca Sousa que nasceu com deficiência, mas nasceu perfeita diante de Deus. Antes de nascer, a minha mãe teve uma doença chamada RUBÉOLA, foram 9 meses de muitas dificuldades e de muitas dores, como outras mães vivem com essa doença.
"Era uma vez uma menina chamada Bianca Sousa que nasceu com deficiência, mas nasceu perfeita diante de Deus. Antes de nascer, a minha mãe teve uma doença chamada RUBÉOLA, foram 9 meses de muitas dificuldades e de muitas dores, como outras mães vivem com essa doença.
No dia 1 de abril de 1994, de madrugada,
só tinha meus pais em casa, enquanto a minha mãe dormia, e ai a
bolsa estourou, o meu pai levou a minha mãe ao hospital, passaram algumas
horas, nasci de um parto normal, eu nasci e a emoção
falou mais alto, quando ouviram o meu choro ao nascer, foi a maior alegria para a
toda minha família. Mas, infelizmente, o médico descobriu que eu podia
não viver, tive que ficar internada, eu tinha um sopro do coração, mãos e pés
colados como os peixes, e minha mãe não acreditava no que o médico disse, pois
ela acreditava que havia esperança de sobrevivência. E toda família orava
por mim para que eu VIVESSE e fosse CURADA. E dai, o médico avisou aos meus pais que precisava fazer cirurgia.
No dia seguinte, o médico me levou até ala, verificou o meu coração,
mas aconteceu o milagre de Deus, o médico ficou todo espantado, foi correr para dar
a noticia ótima aos meus pais e disse que o meu coração voltou ao
normalmente, foi isso que o que aconteceu, foi o nosso Deus que me
curou. O médico me deu alta, passei muitas semanas vivendo e
respirando, minha mãe me cuidava e o meu pai me sustentava, foi um
momento mais feliz da vida dos meus pais. Depois de muitos dias, minha mãe
me levou ao médico, para saber das informações e da minha saúde, e fiz os
exames, o médico verificou todos os exames, descobriu que tenho perda da
audição e falou em detalhes sobre mim para minha mãe. Então a minha mãe descobriu
que sou surda, ficou preocupada e pensava que eu não iria conseguir enfrentar as
coisas difíceis lá fora, não saber me comunicar com as pessoas e não alcançar metas
no meu futuro. No outro dia, minha mãe soube que havia uma
escola para deficientes auditivos, uma escola para todos surdos com níveis diferentes
de surdez, e ali ela foi comigo. E tinha aula de fonoaudiologia, aula
de psicologia e várias aulas para ajudar os surdos a conviver com as
outras pessoas. E ai minha mãe não precisou ficar preocupada, porque
percebia que cada dia passei aprendendo mais e me tornei capaz
de tudo...
Na minha vida acadêmica, um pouco da época do jardim e do colegial,
o porquê de eu ser uma surda e tive dificuldades de aprendizagem, porém fui surpreendente
para os professores pela aprendizagem rápida cedo. Lembro-me da minha
infância com muita satisfação, alegria e saudades.
Em 1998, comecei os meus estudos bem cedo, com 4 anos de idade, já frequentava a escola. Estudei no Colégio Evangélico Bom Samaritano, do material
até 6ª série e me recordo que sempre fui uma aluna inteligente, pouco ativa e
esperta. Nos 1998 até 2000, foram os anos de muitas alegrias, muito
aprendizagem. Nos 2001 a 2006, foram anos maravilhosos, alegrias, cheia de
vida, pois são os mesmos amigos que cresci juntos desde maternal, me protegiam,
me alegram. Uma maravilhosa e paciente professora da 4ª série, me ensinou tantas
coisas e o português para eu melhorar mais.
Já no ano 2007, me mudei de outra escola, Colégio Certo, da 7ª serie até
2º ano do Colegial, foram anos complicados e equilibrados, de muita
aprendizagem, de alegrias, de tristeza e de solidão, pois eu vivia com bullying
no colégio, mas eu enfrentei as dificuldades aos poucos, também tive dificuldades
de fazer amigos novos, e levei muitos meses para conseguir amizade e aprender com
os professores. Na época, eu me preocupava de que não conseguia chegar no futuro, não
ganhar novos amigos, falava que queria sair e chorava muito, por causa de
bullying, foi um momento difícil para mim, e ai minha mãe percebeu e me
aconselhava que tinha que continuar até
conseguir, para que eu seja forte e mostrar aos outros que sou capaz, sou
diferente de outras pessoas, sou especial e posso ter novos amigos, ter
qualquer coisa e ser melhor na vida.
Pensei muito no conselho da minha mãe, e resolvi tirar as dificuldades,
procurar novos amigos, querem saber quem são meus novos amigos??? Eles são
surdos, foram meus primeiros amigos. E dai no dia seguinte, pedi a eles me
ensinar a falar em LIBRAS, sabem o que significa, é a língua materna e natural
da convivência dos surdos, Língua Brasileira de Sinais. Foi ai que eu aprendi, são novos obstáculos, aceitei o desafio da vida,
enfrentei para que eu não precisasse me preocupar, e foi por isso eu ganhei nova
identidade na comunidade surda.
No meio do ano 2010, me mudei de outra escola, do 2º ano de Colegial,
fiquei espantada com as novidades da escola, uma escola inclusiva,
tinha surdos, pessoas com deficiência, ouvintes, professores bilíngues
até interpretes. Nas
aulas, aprendi muito com os professores bilíngues, as colegas surdas e os
interpretes. Parecia outro mundo, um
mundo extraordinário, é como fosse mágica, vocês não imaginam o quanto eu
convivi com pessoas especiais, sim elas são. Óbvio que outras pessoas não
entendiam o que surdos estão conversando, se eu fosse você, entraria no mundo
deles e saberia como que eles são e imaginam. Não dá pra explicar, me sentia
uma emoção silênciosa. Uma fascinante professora de português me ensinou a
corrigir os erros do texto, nas frases e até nas redações. No ano de 2012, foi o ultimo
ano do Colegial, um ano de muita emoção, alegria, aventuras, aprendizagem. Levei
um ano e meio para aprender com os conselhos das professoras, das pessoas
especiais para que eu mostrar aos outros que tenho capacidade e sou surda com
muito orgulho. E não preciso me preocupar pois nada me abala.
Na minha vida pessoal, desde nova, tinha um
dom incrível de desenhar e fotografar, era cheia de sonhos e de
projetos. Toda hora, eu batia as fotos e não conseguia largar a
câmera, pois eu era muito fotogênica e ciumenta. Nas horas vagas, eu desenhava
nos papeis e nas paredes, e brincava com as bonecas, como outras
crianças, passeava de bicicletas, de patinete e de skate, são
brinquedos radicais que me alegravam na infância. Fui crescendo, brincando
com os primos e os amigos e comunicando com as pessoas, fui cada vez mais uma
pessoa normal. Na adolescência, era muito briguenta, negativa, ciumenta,
solidária, porém uma garota muito esperta, sorridente e fotogênica, é normal
passar na fase, como todo mundo já passou e óbvio que não sou única. Amava
assistir os filmes todos os dias na final de tarde e nas horas vagas, eu
dormia, desenhava e passeava na rua.
Depois de terminar o ensino médio, comecei a trabalhar cedo aos 17 anos,
não acreditam?? Pois é, eu posso e quero e consigo. E dai comecei a namorar
cedo as 18 anos, pois é, eu posso namorar quem quiser. Foram anos muito muito
muito maravilhosos, pois eu aprendi a amar a mim mesma, amar a família, amar o
namorado. Tive varias viagens, com namorado e os amigos. Tive varias roupas e
coisas para mim, eu trabalhei para poder ter dinheiro e gastar com o que quiser.
Aos 20 anos, noivei com o mesmo namorado, tive um relacionamento firme, grande responsabilidade, muito amor, união, respeito e entre outros, obvio que
tivemos brigas, é natural, pois uma hora melhora, e outra não. Foram 6 ou mais
de mês de noivado, muitas lutas, muitas dificuldades, de solidão, de preocupação,
de sonhos.
Me casei aos 20 anos, com o marido maravilhoso, comprometido, um homem
de verdade, de responsabilidade.
Ele é meu namorado, porque a gente namora, beija, abraça, briga, troca
carinho e olhar.
Ele é meu amigo, de todas as horas, companheiro, parceiro de viagem, de acompanhamento.
Ele é meu como meu pai, porque me preocupa, me sustenta, me aconselha, me
protege.
Ele é como meu filho, porque eu preocupo, eu cuido, eu amo, eu faço carinho, muito
amor.
Afinal, ele é meu tudo, porque hoje sou casada com ele e somos um só na
vida. Sou feliz com quem me ama, sou a pessoa que ele sempre quis, por isso se casou comigo.
Na vida adulta, estou atualmente hoje, com 22 anos de idade, eu
trabalho, estudo, ganho dinheiro, namoro, viajo, divirto com os amigos, eu faço
tudo o que eu quiser. Tenho planos para o futuro, para virar fotógrafa
profissional e independente na outra área no qual estou cursando
da faculdade. Tenho responsabilidade maior, tenho um marido
maravilhoso, tenho uma família que amo e me sustenta de qualquer jeito,
tenho orgulho de mim mesmo com todos os defeitos e as qualidades e de
ser quem sou.
Tudo isso que eu passei anos de muitas dificuldades, tinha
que enfrentar as coisas que não me pertencem, e assim o que
aconteceu, me tornei uma pessoa mais importante, mais forte e mais inteligente,
e por isso me tornei uma pessoa capaz de tudo. Vocês, surdos, podem tudo, podem
enfrentar as dificuldades do que as pessoas zoam, provocam, deixe
eles zombarem, pois eles não sabem o que vocês são capazes e fortes. Com o
tempo, eles vão saber que vocês são especiais e importantes, tem mistérios
maravilhosos e vivem no mundo mágico."
Bianca Sousa
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Se você conhece uma pessoa surda, não tenha medo ou vergonha de se aproximar e fazer amizade. Eles gostam muito de fazer amizade e respeitam as pessoas que se esforçam em se comunicar com eles. E se você quiser aprender LIBRAS, pode pedir para aprender, eles adoram ensinar. Ninguém melhor do que o próprio surdo para ensinar a língua deles.
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